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A vida que funciona — e o que vem depois
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A vida que funciona — e o que vem depois

Para quem sente que merece mais do que apenas cumprir

Há vidas que funcionam. Cumprem os prazos, pagam as contas, recebem os parabéns nas alturas certas. Há rotinas que se encaixam, relações que se mantêm, carreiras que avançam com a previsibilidade de quem faz tudo bem.

E no entanto, quando a casa fica em silêncio e o dia termina, surge algo que não é queixa nem ingratidão. É uma intuição suave, quase um sussurro: há mais. Há mais para ti do que isto.

Se já sentiste isso, não é porque algo esteja errado contigo. É porque algo em ti está acordado. Algo que sabe que funcionares bem não é o mesmo que viveres inteira. E essa parte merece ser ouvida.

A maioria das mulheres que sente isto não se queixa. Aliás, queixar-se de quê? Há tanta gente com problemas reais, com razões concretas para sofrer. E tu tens saúde, tens trabalho, tens pessoas que te amam. Como é que se explica que, apesar de tudo isso, há manhãs em que acordas com uma espécie de inquietação gentil — não dor, mas uma pergunta sem resposta?

Não precisas de a explicar. Precisas apenas de a reconhecer.

Essa inquietação não é fraqueza. É a distância entre quem foste sendo e quem estás a tornar-te. Entre o que a vida te pediu e o que tu, no fundo, queres pedir à vida. É um sinal de que estás pronta — não para mudar tudo, mas para começar a ouvir-te.

Porque a verdade é esta: foste construindo, com inteligência e dedicação, uma versão de ti que cabia nas expectativas de toda a gente. A filha responsável, a profissional competente, a amiga presente, a mulher que aguenta. E fizeste-o lindamente. Mas nesse processo, foste adiando uma pergunta essencial: e eu? O que é que eu quero?

Não é que estejas a viver mal. É que há uma versão tua que ainda não teve espaço para existir. E ela está à tua espera.

Este artigo não é sobre como mudar a tua vida. Não há passos, não há fórmulas, não há promessas. É apenas um convite — para parares um momento e reconheceres que essa voz que sentes merece atenção. Que não é egoísmo querer mais. Que há outras mulheres a sentir exactamente isto, mesmo sem conseguirem dizer em voz alta.

E talvez esse seja o primeiro passo: não mudar, mas ver. Não resolver, mas permitir. Dar-te, pela primeira vez em muito tempo, a autorização de sentir que mereces mais — não mais coisas, mas mais ti.

A vida que funciona é um começo. O que vem depois é teu.

Se estas palavras ressoaram contigo, há sete histórias à tua espera. Não são manuais — são convites.